segunda-feira, dezembro 21

Pecado

Eu sei, e você também sabe. Que suas conversas demoradas
Se enchendo de promessas vazias, criando um mundo que não existiria!
Inventando um futuro que todos sabem que não poderia, acontecer.
Mas carências não se curam com palavras, palavras só alimentam...
O pequeno ego cansado de tantas vezes não ser valorizado.
Ele só queria ser amado, e buscou por todos os lados.
O silêncio da noite emudece, recebe e não agradece o choro.
Outrora contido. Tantas e tantas vezes.
Se na escuridão, as lágrimas são amparadas pelas próprias mãos magras;
De quem tem o coração machucado, e que nunca foi amado.
De quem é a culpa? Se o mundo não se encaixa em seus passos
Amargurado os lábios tremem, entre suspiros, sussurros e gemidos, reconhecidos.
As nuvens dançam. E cantam os pássaros, trazendo o compasso reprimido
Da anunciação de um novo dia, porem a louça continua na pia, seria?
Reflexo da solidão de seu dia a dia? Da sua sagrada vida vazia?
Seu pequeno e cinza, mundo depressivo só se tornará colorido...
Se alguém numa terça melancólica trouxer os remédios da alegria
Que sempre vêem escancarados no sorriso de um velho amigo...
No seu apertado abraço quente, Naquele tão sonhado beijo indecente.
Se a vida é curta por que você a desperdiçaria? Com conversas vazias...
Que certamente o levariam a se suicidar com a cabeça enfiada na pia
E apenas a louça suja presenciaria o fim daquela sagrada vida vazia?
Achando que era pecado, não ser amado. Chorou novamente.
Sua angustia misturada a lágrimas, água suicida e alma despedaçada...
E assim neste dia se foi mais um coração machucado, de ego cansado, banhado de lagrimas, Alma lavada pela água suicida da pia que pela ultima vez refletiu a solidão do dia a dia do pequeno mundo de quem morreu achando, que era seu pecado não ser amado.

Lucas Alberti Amaral

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